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O second hand e a construção da identidade pessoal
 

Segundo recente matéria publicada no jornal britânico The Economist, o mercado global de roupas e acessórios de segunda mão deixou de ser um nicho para se tornar um dos mercados mais fortes do setor, movimentando anualmente cerca de US$ 56 bilhões e com projeção de crescimento anual de 20% pelos próximos cinco anos. Enquanto o varejo tradicional desacelera, as plataformas de revenda registram altas sucessivas e passam a atrair inclusive as marcas de luxo. E não se trata de tendência – é uma nova lógica de consumo.

A geração Z, totalmente digital e conectada a valores de sustentabilidade e autenticidade, é a principal responsável por essa transformação. Para os nascidos entre 1995 e 2015, a compra de peças de segunda mão deixou de ser alternativa econômica e se transformou em expressão de consciência e estilo. 

O consumo circular de itens de moda prolonga a vida das peças, reduzindo o impacto ambiental de um setor produtivo que hoje é considerado o segundo mais poluente do mundo – perdendo apenas para o do petróleo. Além disso, encontrar peças únicas, de outras décadas e fases da moda, é um ato culturalmente rico – um resgate de histórias humanas, identidades e comportamentos que formam quem somos hoje. Segundo Dudu Bertholini, estilista visionário e crítico da indústria da moda, "o brechó sempre esteve muito ligado ao vintage, a peças com história, com tempo de vida maior. De repente, podemos renovar nossos guarda-roupas de forma mais contemporânea, incentivando as pessoas a aprimorarem seus estilos pessoais."

Das plataformas de luxo como The RealReal, Vestiaire Collective e Depop a brechós online locais e acessíveis, o que vemos hoje são peças vintage passando a valer mais do que os lançamentos da estação – e a chamada 'tendência' deixando de ser uma questão apenas formal para se consolidar como resultado estético de uma ética de comportamento.

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