
Uó, por Marcelo Sommer
Marcelo Sommer, ícone da moda autoral brasileira, apresentou na 60ª edição da SPFW sua nova marca: Uó, um manifesto vivo sobre o que significa fazer moda em 2025.
Segundo o estilista, o projeto veio do desejo de aprofundar seu trabalho de upcycling – expressão adotada pelo setor da moda para designar a técnica de reaproveitamento criativo de materiais que seriam descartados –, que desenvolve desde 2019 e que já contou com diversas parcerias (para essa coleção, Sommer convocou nomes que partilham de sua mesma crença na regeneração criativa: Gilda Midani e Alexandre Herchcovitch).
Pelas mãos do estilista, 'Uó' deixa de ser adjetivo para o que é brega ou descartável e vira sinônimo de transformação – é o luxo do improvável, o belo encontrado no que foi deixado de lado. Essa lógica guia toda a coleção, criada a partir de peças garimpadas no Brasil e no exterior e depois reinventadas. Marcelo trabalhou ainda com tecidos sustentáveis, feitos a partir de fibras naturais que se decompõem no meio ambiente e têm origem rastreável.
A belíssima coleção, marcada por volumes amplos, recortes assimétricos, texturas e um mix infinito de estampas, trouxe peças inovadoras: camisas unidas por botões que viraram saias, camisetas esportivas que foram combinadas com peças de flanela, moletons, babados, rendas e detalhes pintados à mão com símbolos como números e laços (que sempre fizeram parte do universo criativo do estilista). Entre brancos e off-whites, tons intensos de verde, royal, amarelo e vermelho, o resultado é uma moda esportiva inovadora, que olha para as ruas com atenção e para o passado sem nostalgia – mas com a urgência de (re)construir memória, consciência e identidade.
